Feios, porcos e maus?

Depois da exibição dos pessegueiros, é chegada a vez das ameixieiras. Talvez por começarem mais tarde e serem quase todas idênticas, brancas, bem ao contrário dos pessegueiros, parecem querer impressionar pela quantidade.

E de facto produzem uma abundância impressionante de flores, tal como já tinha mostrado na “Dorinda“, mais precoce. Em torno delas há sempre um enxamear de insectos, num vai-e-vem à procura do néctar das flores abertas.
Mas nem todos têm paciência para aguardar o momento propício.

Como uns verdadeiros glutões, estes que se vêm na fotografia, pura e simplesmente não estão para esperar e abrem caminho à força da dentada. Claro que as flores não foram feitas para estes brutos, que as deixam meias destruidas e incapazes de frutificar.
Depois de o observar, durante uns minutos, de focinho enfiado no prato, pensei, como legítimo herdeiro que sou da tradição humana, surgida com a invenção da agricultura, de nos arrogarmos direitos de vida ou morte sobre todos os seres que nos rodeiam, que devia aniquilar o bicho, que subitamente passara a chamar de peste. Contive-me, no entanto, ao olhar para a quantidade de botões e flores, e ao pensar que seria preciso mondar muitos frutos para ter boas ameixas. Aquele tipo tinha um papel a desempenhar. Fotografei-o e fui-me embora.

É um Oxythyrea funesta. Na fase larvar alimenta-se de raízes e, quando adulto, para além do pólen, dos próprios orgãos florais. Como o nome transparece, não é tido em grande conta.

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One response to “Feios, porcos e maus?”

  1. jorge gomes says :

    Vivemos mesmo num mundo perfeitamente casuístico. Não sabemos sequer se a tua decisão tem impacto na história futura. Tipicamente em ficção científica numa visita ao passado, um simples matar de uma mosca influencia todo o futuro. Então temos a mecânica quantica aplicada, não apenas ao mundo do muito pequeno mas também à nossa escala. Podemos então apenas lidar com probabilidades. Posso especular que esse insecto tem hipóteses de sobrevivência em 5% dos encontros com agricultores.

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