Controlo de acácias infestantes – Mimosas

Manifestado o interesse na divulgação de pormenores acerca do controlo das acácias infestantes, desafiei o Jorge Gomes a escrever sobre o assunto. Foi seguindo as suas dicas que, em cerca de quatro anos, consegui erradicar as mimosas cá da quinta, menos esta.

Nota – Nada do que é dito a seguir tem sustentação ciêntifica. É apenas resultado de experiência pessoal no combate às mimosas em Aguiar de Sousa num local chamado Lodeiro, e que começou em meados da década de 80.

Introdução

As mimosas tem um alto poder de regeneração e de sobrevivência. Não têm quem as ataque naturalmente, nem são alimento para nenhum animal do nosso ecossistema. Nem sequer por insectos. Não se vêm comunidades de mimosas doentes, atacadas por bactérias ou fungos.

A sua promoção para fins comerciais não existe, mas muitas pessoas escolhem esta espécie como ornamental. Foi prática comum plantar jardins em jardins públicas ou em zonas florestais nobres, como é exemplo o Monte de Santa Luzia em Viana do Castelo, que deu origem à famosa Romaria com o nome de “festa da mimosa”.

São destruídas facilmente pelo fogo, mas passados poucos dias já é visível que vão renascer por todo o lado e ainda com mais intensidade. Se forem cortadas, rebenta uma touça enorme de ramos em redor do ponto de corte. Nas mimosas pequenas, e em terrenos favoráveis, é possível puxar e arrancar toda a sua raíz. Mas isto só acontece com pequenas mimosas isoladas.

Normalmente, as mimosas estão em grupo fechado e impedem quase por completo o desenvolvimento de qualquer espécie autoctone de árvore ou arbusto no seu interior. Dependendo da qualidade do terreno, a comunidade de mimosas alarga a sua fronteira, expandindo-se em cada ano. Se fosse um círculo perfeito, poderíamos ter uma expansão no seu raio de 1 metro em cada ano, o que leva a que o crescimento da área é cada vez maior de ano para ano. Este processo acontece pela queda das sementes, mas sobretudo pela expansão das suas raízes. Estas raízes têm capacidade para fazer nascer novas mimosas, de tal forma que as mimosas formam um sistema intrincado de raízes superficais partilhados por várias mimosas.

Em solo favorável uma mimosa pode começar a florir e a produzir sementes ao fim de cinco anos. A quantidade de sementes produzida é enorme. As sementes de mimosa não são alimento para nenhum animal, nem é conhecido qualquer uso ou procura para aproveitamento gastronómico ou industrial. Cada semente fica em estado de latência os anos que for preciso até encontrar condições favoraveis de germinação. Como é muito pequena, do tamanho do grão de uma uva, esta pode ser facilmente arrastada para longe por factores naturais.

Controle das mimosas

O controle da progressão das mimosas pode ser feito:

A primeira medida é o abate de todas as mimosas, e controlar nos anos seguintes a progressão dos rebentos. Logo que consigam florir devem ser abatidos antes de produzir semente.

O corte das mimosas não leva ao seu extermínio. Também não tem qualquer efeito de extermínio, ter o o trabalho de individualmente retirar uma circunferência de casca. Isto tem um efeito semelhante ao corte da planta, porque vai fazê-la secar, mas não impede que rebente por baixo e pelas raízes.

Um método com boas possibilidades de extermínio é descrito a seguir. A sua eficácia depende de todos os anos se confirmar o estado do processo.

Método

  1. Definir a área em que se vai intervir. No caso de se intervir numa área, cujas propriedades adjacentes também estão infestadas de mimosas a probabilidade de extermínio definitivo é muito remota.
  2. Todas as mimosas devem ser todas cortadas perto da base (até 20 cm). Dependendo da área, quantidade, e tamanho das plantas pode usar-se uma foice ou machado, ou motoserra.
  3. As mimosas cortadas se tiverem tamanho interessante podem ser usada como lenha combustível. Racha facilmente, seca rapidamente e tem grande poder calorífico.
    As plantas pequenas podem ser usadas em processos de compostagem e para isso basta ficarem empilhadas em qualquer local.
  4. Com a área cortada e limpa é possível introduzir novas árvores e arbustos. Para que isto ocorra de imediato, o abate das mimosas deve ser feito no Outono.
  5. No início da primavera seguinte, e num dia em que não haja probabilidade de chuva. Preparar um pulverizador pequeno manual de 5l de água com 10 decilitros de um herbicida sistémico. Um eficaz é o famoso Roundup da Monsanto. Não serve para este fim usar um herbicida como o Garlon, que mata a mimosa numa semana, mas matem-se vivas as raízes, e portanto sem o efeito desejado. Um herbicida como o Roudup só actua sobre a folha da planta, entrando no seu sistema vital. A morte da mimosa é mais lenta (pode o efeito só ser visível 15 dias depois) contudo as raízes também morrem e dá-se uma exterminação efectiva.
  6. Para minimizar o impacto do herbicida, este não deve ser aplicado num dia de chuva de forma a que não escorra para o solo. Deve ser aplicado sobre as folhas dos ramos de mimosa que foi cortada pelo pé alguns meses antes. A perícia e atenção contínua da pessoa que está a usar o pulverizador é fundamental para que apenas se atinjam as folhas de mimosa. Deve pulverizar-se com uma vaporização fraca e muito próxima da touça de rebentos de ramos e folhas de mimosa. Com atenção, mesmo que existam outras plantas já disseminadas no meio das mimosas, é facil produzir os desvios necessários para não as atingir. O mesmo cuidado pode fazer com que praticamente todo o liquido fique sobre as mimosas, não contaminando o solo.
  7. Dois meses depois as mimosas estarão secas. Torna-se visível nesta altura as mimosas que eventualmente tenham escapado a este processo. Não é necessário repetir de imediato.
  8. Deve no ano seguinte e subsequentes repetir o processo com as mimosas sobreviventes, até ao seu extermínio completo.
  9. Também é preciso completar este processo anulando o efeito das sementes. Muitas delas vão germinar ao encontrar condições no terreno pela ausência das que foram exterminadas. Estas no ano seguinte na repetição do processo serão exterminadas. Em locais em que nascerem mimosas isoladas claramente a partir de sementes, e ainda estão numa fase precoce, é possível evitar o herbicida, agarrando a mimosa perto da base e arrancando-a com a totalidade da raíz. A raíz raramente é vertical. Quando temos boa terra, ao puxar a mimosa adivinha-se para que lado se estende a raíz e facilmente se arranca por ser superficial. No caso de ser uma encosta a raíz é superficial e está sempre no sentido em que descai o terreno. Muito dificeis de arrancar na totalidade são as que se encontram em terreno rochoso, porque normalmente a raíz se adapta às fendas da rocha.
  10. A vigilância tem de ocorrer por muitos anos. Se for feita por qualquer razão uma limpeza de ervas ou folhagem, as eventuais sementes de mimosa que por ali estejam têm tendência a germinar de imediato, e não escolhem a estação do ano. Numa fase precoce são muito faceis de arrancar à mão.
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11 responses to “Controlo de acácias infestantes – Mimosas”

  1. carlos abafa says :

    Então o Roundup da Monsanto não vai interferir com a terra e outras culturas? E se está perto de uma linha de água não tem perigo de contaminar a água?

    Tenho esta praga num terreno montanhoso junto de uma nascente de água e queria ter um processo inócuo para as árvores (sobreiros) e igualmente para o curso de água. Será que tem alguma dica para resolver o problema? muito agradecia um comentário.
    obrigado
    carlos abafa

  2. Luciano says :

    @carlos, bem gostaria de dizer que sim, que há um processo completamente natural e sem efeitos secundários para erradicar a invasão de acácias mas, infelizmente, não o conheço. O método que aqui divulgo procura minimizar o impacto que tem (sempre) a utilização do herbicida sistémico, através da aplicação controlada numa área mínima de folhagem.

    Sem a quebra de vitalidade provocada pelo herbicida, diria que é quase impossível controlá-las. Admito que, cortando sistematicamente todo o crescimento aério, destruindo toda a ramagem verde, durante anos, seja possível matar uma acácia mas não é fácil, nada fácil.
    Apostaria na aplicação do referido herbicida de forma ainda mais cuidadosa, talvez com um plástico colocado à volta do tufo de folhas que rebentam do tronco após o corte, por forma a evitar a dispersão do veneno, talvez com um balde em baixo para apanhar as gotas que forem escorrendo do plástico.

    Este é um trabalho ingrato, ainda mais complicado em zonas sensíveis como a que descreve o Carlos, mas também urgente e meritório: se não formos combatendo estas pragas, não tarda a nossa paisagem vai confundir-se com a australiana.
    Boa sorte!

  3. Conceição says :

    Confirma-se que as mimosas absorvem o oxigénio e libertam dióxido de carbono? É também por isso que devem ser eliminadas ou por serem uma praga?

    • Luciano says :

      @Conceição, as mimosas, apesar de aqui serem infestantes, são árvores como qualquer outra: durante o dia, quando realizam a fotossíntese, libertam oxigénio; e tal como as outras árvores, produzem também dióxido de carbono durante todo o dia e noite, na respiração celular. Ou seja, é melhor ter mimosas do que não ter árvore nenhuma mas é obviamente melhor ter uma floresta diversificada do que ter uma monocultura – que é aquilo que as mimosas, se deixadas à vontade, acabam por conseguir, dado o seu potencial invasivo.

  4. Augusto says :

    Tenho grande infestação de acácias á varios anos que as corto e coloco erbicida o que houver , cada vez se expandem mais recrri a net sobre este caso que espero que resulte, falta-me sber onde adquirir o erbicida rouudup aqui em Caneças não o encontro.

  5. Rui says :

    Olá, boa noite. Os atomizadores podem pulverizar de maneira quase cirúrgica mas é impossível que mesmo uma ínfima parte atinja o solo ou plantas vizinhas. Vi uma solução interessante no site da Bayer: logo após o corte, e, segundo eles, isto funciona em árvores de diâmetro generoso, aplicar o produto (Guru ou Roundup) com uma concentração recomendada pincelando a área de corte. Ver mais informações aqui: http://www.bayercropscience.pt/download/GURU.PDF

    ou aqui

    http://www.bayercropscience.pt/internet/produtos/produto.asp?id_produto=161

    Nunca experimentei, não sei se funciona mas não custa tentar. Abraço

    • Luciano says :

      @Rui, obrigado pela informação. A ser eficaz, é de facto bem mais controlado o impacto da aplicação. Tenho ainda algumas acácias que vão surgindo, portanto vou experimentar essa abordagem e depois darei conta dos resultados.

  6. Jorge Castro says :

    Pincelar de imediato funciona na perfeição, já eliminei uma boa mancha, e o risco de contaminar as outras árvores é muito baixo, pois as vizinhas continuam a crescer e saudáveis

    Já recorro à 3-4 anos a este método, mas atenção pincelar tem de ser de IMEDIATO, tem de ser feito por duas pessoas, uma a cortar e outra a pincelar.

    O glifosato que uso é o Montana da Sapec.

    Ver: http://www1.ci.uc.pt/invasoras/files/20acacia_saligna.pdf

    Vamos continuar a dar cabo delas…

  7. jose says :

    Tenho uma quinta de 3 Hectares em que também tenho mimosas e fetos a crescer todos os anos, além de uma vegetação baixa, que infesta tudo e requer sempre um grande investimento no seu corte. Tenho andado a ver se conseguia plantar uma especie que ajudasse no controlo das mimosas e outras. Já verifiquei que debaixo dos pinheiros não cresce nada, mas estes demoram muito tempo a desenvolver-se. Não conhecem nenhuam erva rasteira, tipo trepadeira mas rasteira que pela sua cobertura de solo ajudasse a que não crescessem outras especies ?

  8. vizeuCarlos Ferreira says :

    Não sei se este local ainda estará activo.

    Fará sentido após o corte das mimosas, plantar com eucaliptos que, sendo árvores muito competitivas tb crescerão rápidamente e impedirão o crescimento da mimosa e mais tarde, com a erradicação da mimosa, plantar as árvores que pretendemos e ir eliminando a pouco e pouco o eucalipto?

    • quintadosmoinhos says :

      @carlos ferreira:
      o blog não está muito activo mas vai estando alguma coisa.
      não sei se funcionaria essa ideia… de qualquer forma, combater uma peste com outra, embora menos agressiva, parece-me trazer mais problemas do que resultados.

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