Nó de gravata

Estava a dar uma volta pelos gotejadores recém instalados no pomar, enquanto a Elsa e a Matilde apanhavam umas flores, quando um vizinho me interpela do caminho. Perguntava se eu sabia dar nós de gravata. Ri-me. “Quando preciso, tenho de pedir ao meu pai”, respondi-lhe.
Continuou explicando que tinha um batizado amanhã e que precisava de a usar, enquanto abanava o saco de plástico que trazia na mão. “O Zé Preto sabe mas não está, lembrei-me de vir perguntar ao Sr. Engenheiro”.

O lugar onde moramos estende-se ao longo de uma rua sem saída. Tem uma dúzia de casas e pelo menos o dobro das famílias – o vale do Sousa é pobre e tem grande crescimento populacional, pelo que ainda é comum esta vivência comum multigeracional. Conhecemos os vizinhos quase só de passagem, quando chegamos ou saímos de carro. Do lado de cá do portão, perde-se o contacto com o exterior. Essa foi de resto uma das características que nos agradou na quinta, quando a comprámos há quase seis anos.
Hoje, no entanto, senti mais veementemente o quão afastados estamos desta comunidade. E que, provavelmente, há pessoas longínquas que sabem mais de nós do que os nossos vizinhos.

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