Rosa dos tempos

O tempo, ao contrário do que aparenta, não flui como seta disparada com precisão atómica. Ele é registado pela memória, temperamental escriba, e portanto, sujeito a distorções, a esquecimentos, a bloqueios. E também a ecos e a recordações.

Cada folha do livro da memória, por vezes um capítulo inteiro, deve ser virada com convicção, já que nenhuma pode ser rasgada ou rasurada – só o tempo, ele próprio, as poderá fazer amarelecer e tornar o conteúdo ténue, ilegível.

Mas na por vezes difícil arte de navegar a vida, pode perder-se o Norte da rosa dos tempos: pode acontecer voltar a acontecer de novo, como palimpsesto, e rabiscar notas sobre uma página já escrita, indelével apesar dos anos passados. Como será a sua redacção final, ninguém sabe, mas nessas ocasiões, que bom é ter-se um navegador que saiba guiar-se pelas estrelas.

3 responses to “Rosa dos tempos”

  1. Susana Pinho says :

    Como és especial, podes ter a certeza de que vais ter sempre alguém ao teu lado que saiba orientar-se pelas estrelas… e nessa altura poderás vislumbrar a luz de um farol ou a torre alta de um castelo!

  2. Bi says :

    Lindo…

  3. Elsa Castelo says :

    O meu barco é teu …

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