Lagartas ao ataque

Foi mais forte do que eu. Não costumo meter-me com a bicharada mas fiquei estarrecido quando vi este exército de mandíbulas rastejantes a devorar a roseira da entrada da horta. Eram em tão grande número que em pouco dias teriam dizimado a planta indefesa – para estes inimigos, os seus acúleos de nada servem.

A questão era: admirar estes bichos, que até a fazer contorcionismo se alimentam, e que mais tarde se transformam em lindas borboletas primas das vespas (obrigado Rui), ou garantir que veria ainda estas outras belezas?

Mais uma vez invoquei os meus poderes de ditador e liquidei grande parte das lagartas. “Pena capital aos destruidores de flores” é uma lei capaz de fazer de Drácon um tipo complacente mas agarro-me à ideia de ter sido apenas mero instrumento no equilíbrio do ecossistema.

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7 responses to “Lagartas ao ataque”

  1. Rosa says :

    Pobre roseira, pobres lagartas, pobre e querido Luciano!

  2. rosa says :

    Guerra que é guerra só pode ter um vencedor, eu também me teria aliado ao mesmo lado, e que vivam as rosas.

  3. Susana Pinho says :

    Eu também sou a favor das folhinhas!!
    Aliás, quando as couves ainda eram pequenas e a restabelecerem-se do transplante, costumava acocorar-me junto delas, a espreitar folha por folha em busca desse tipo de invasores.

  4. cláudia says :

    Não há que pensar duas vezes! E ainda valeu umas belas fotos!!

    ;)

  5. jorge.gomes says :

    O mundo é cruel e as decisões não são faceis. Mas o destino de um pequeno grupo de lagartas só é significativo para eles próprios como entidades individuais.
    Quando cortava mato na floresta, fazia-o de forma a eliminar certas plantas em detrimento de outras. Depois veio o incêndio e toda a minha selecção ruíu. Do ponto de vista ambiental, não tens de ter remorsos, porque tu próprio fazes parte intrínseca do meio. Já do ponto de vista da tua consciência as coisas complicam-se, e sei que á tua convicção que o direito da lagarta de permanecer vivo é exactamente igual ao teu.

  6. Cris says :

    Luciano, por vezes temos que tomas estas decisões, especialmente quando as nossas queridas plantas estão em causa. Já me aconteceu não fazer nada perantes um ataque semelhante, e o resultado foi uma roseira parcialmente destruida.
    Cris

  7. Fabio Daflon says :

    Soneto para a lagarta

    Lagartas comem folhas da roseira,
    são feias, se alimentam da beleza,
    e ao vê-las sentirei sempre tristeza
    embora isso não cause nem zonzeira.
    Depois irão formar algum casulo,
    de onde nascerá a borboleta,
    mostrando que feiúra é uma peta
    e que a beleza vem até de um mulo.
    Não mato, pois, lagarta com meu pé,
    Nem que esteja em folha de café,
    Pois flor esvoaçante é borboleta
    Que poliniza flor d’outra roseira,
    tratemos natureza então sem ira,
    do feio nasce até beleza rara.

    Fabio Daflon

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