Como não germinar bolotas

Para colaborar com o Jorge Gomes na sua inextinguível vontade de preservar a floresta autóctone, mesmo depois de ver o trabalho de anos desaparecer em fumaça, como no ano passado, resolvi fazer um viveiro de carvalhos-comuns, com bolotas cá da quinta, para transplantar na Primavera próxima.

A primeira fase do processo é demolhar as bolotas. As que flutuam podem ser liminarmente descartadas, que é como quem diz compostadas. As restantes, depois de escorridas, devem ser mantidas em ambiente escuro, quente e húmido.

Improvisei um estufim com duas gamelas de plástico preto, forradas com tecido absorvente. Espalhei as bolotas em cima do tecido,

cobri-as com outra camada de tecido absorvente, para as manter sempre húmidas,

e depois tapei com outra gamela, para as manter escuras e diminuir as perdas de humidade.

O resultado?

Uma valente produção de larvas. Às dezenas. Fresquinhas e vigorosas. Pena é não saber o que fazer com elas.
E também germinaram algumas bolotas, uma décima parte delas. E que secaram rapidamente, porque um dia me esqueci de as borrifar com água. Ora bol(ot)as.

13 responses to “Como não germinar bolotas”

  1. Bi says :

    Directamente na terra, protegidas, também dão.No meu canteiro, já nasceram vigorosas, só que, na altura, não tinha para onde transplantar……

  2. gintoino says :

    não há por aí umas galinhas.?..concerteza lhes chamavam um figo (às larvas…)
    Não dará para as fazer germinar em vasos com terra?

  3. Luciano says :

    sim, claro que já tinha experimentado em anos anteriores semear directamente em vasos (neste caso embalagens tetrapack reutilizadas) mas a ideia aqui era ver se só ocupava os vasos com sementes viáveis.
    está visto que não justifica o trabalho.
    a não ser claro, que as larvas das bolotas sejam uma gourmandise apenas vedada aos ocidentais ;)

  4. joana says :

    as tartarugas aquáticas apreciam muito essas larvas… aconteceu-me o mesmo com um saco de castanhas de que me esqueci bem fechadinho na despensa. quando me lembrei de as ir buscar, tinha uma rica safra de lagartas.

  5. ana ramon says :

    Pois é Luciano. Estamos sempre a aprender. Eu também sou assim fico triste comigo mesma quando concluo o “estava-se mesmo a ver”. Essa das bolotas não fiz (nem vou fazer depois de ler este teu texto) porque as gralhas têm o hábito de armazenar bolotas, castanhas e outras debaixo da terra e depois, como devem ser muito esquecidas, perdem o tino às vàrias despensas e as plantinhas agradecidas por estarem enterradas,aparecem pouco tempo depois, obrigando-nos a mudá-las de sítio para lhes dar espaço. Dizia eu que não fiz essa mas continuo a fazer tantas outras e com desfechos muito idênticos :))))
    Aproveito para deixar aqui os votos de um Bom Natal e Feliz Ano Novo para todos vós.
    Um grande abraço

  6. Luciano says :

    Obrigado Ana! Bom Natal!

  7. varejeira says :

    estive a passar os olhos por aqui… no que se refere às bolotas, foi azar, apenas azar, porque a técnica está correcta!
    Este ano já enterrei +- 150 depois de germinadas em casa com essa técnica (nem ponho pano, apenas as molho e coloco num saco plastico, protegidas da luz e ventiladas…. sem problemas! :)

  8. Cristina says :

    Em Novembro passado estive no viveiro florestal do ICNB na Reserva Natural da Serra da Malcata e fiquei muito grata pelo trabalho que ali desenvolvem.
    Eles estavam precisamente a proceder à apanha de medronho e de bolota para germinar (sobretudo de Quercus pyrenaica) e, por curiosidade, pedi para ver as condições em que germinavam as sementes.
    O processo tem lugar em estufa. Colocam as sementes entre uma camada de palha húmida que tem por baixo uma camada de areia para absorver o excesso de água. Sobre a camada de palha e bolotas é colocado um pano espesso e sobre este alguma areia para ficar tudo bem aconchegado.
    As bolotas germinam neste ambiente escuro, húmido e muito quente.
    Reparei que o chão estava coberto das ditas lagartas mas isso apenas significa que as sementes já vieram do campo com elas.
    Indicaram-me que em Janeiro procedem à plantação das bolotas que entretanto germinaram.

    Cristina

  9. Amândio says :

    Olá,Luciano.
    Estava eu a procurar algo sobre as condições requeridas para as amendoeiras, quando “me apareceste” no caminho.Bem vindo! Já agora, no que se refere à germinação das bolotas (se o desejares- tenho várias centenas já germinadas- posso ceder-te as que desejares.E até agradeço,porque é tarefa demasiado grande só para mim.), o método que eu tenho usado é a sua colocação dentro de um recipiente com areia,colocado na sombra e ao tempo. Vi fazerem isso no centro de produção de sementes de Amarante. Tem funcionado muito bem para as bolotas, amêndoas, nozes e castanhas. Em geral coloco-as em Dezembro e retiro-as entre Janeiro e Março. Este ano tenho tantas germinadas, que precisarei de ajuda para as colocar, porque penso que não serei capaz de dar conta do recado, se tentar fazê-lo sozinho…As amêndoas e as bolotas germinaram em grande quantidade.Se calhar, no próximo ano, vou seleccionar as sementes que me pareçam melhores, porque, pelos vistos,são as que dão origem a árvores mais saudáveis.
    Um abraço para ti e um beijinho para as meninas!
    Amândio

  10. Luciano says :

    Olá Amândio!

    Os carvalhos que estava a tentar germinar eram para plantar em terreno alheio (neste caso no do Jorge), que cá já não tenho mais espaço. Se precisares de ajuda para os plantar por aí, podemos combinar qualquer coisa! Colaboro com todo o gosto!

    Abraço!

  11. Ana says :

    Bom dia, Luciano.
    Nunca tinha visto esta página. Será que que o processo que indica, poderá ser utilizado no alentejo?
    Obrigada.

  12. Luciano says :

    @Ana, este é capaz de não ser um método a replicar. Talvez mais simples e eficaz seja o método sugerido pelo Amândio: cobri-las num recipiente com areia e deixá-las no exterior, seguir o curso natural da germinação. E não vejo inconveniente nenhum em aplicá-lo também no Alentejo. Votos de sucesso!

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