Salgueiro seco tombou

As árvores morrem em pé mas a verdade é que não ficam assim muito tempo.

O salgueiro junto às escadas do rio estava seco, morto já há dois anos, reduzido desde então a mero suporte de uma hera oportunista, que, despudoradamente, dele se servia para melhor chegar ao Sol.
No entanto, o porte altivo, a que as árvores sonham entregar-se quando exalam a última molécula de oxigénio, é causador de inveja a uns, motivo de desprezo a outros. Certo é que, em concílio tácito, forças silenciosas se uniram para a derrubar: os fungos fungaram, o vento ventou, a gravidade gravitou e a árvore, esquecida já de que era árvore, meia descomposta, composta agora no chão.

2 responses to “Salgueiro seco tombou”

  1. Elsa Castelo says :

    Alpendre de arremessadores de paus :)

  2. Susana Pinho says :

    E agora o Luciano e a Matilde brincaram!! Que bonito texto.

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