Razia no batatal

Este tempo chuvoso e tépido que dura já há semanas, propício ao desenvolvimento e multiplicação dos fungos, acabou por ditar a sorte do batatal. Se ainda há um mês atrás o cenário era promissor, agora é lastimoso.

Usando apenas fungicidas biológicos, como a calda bordalesa, que actuam por contacto na folha, é difícil evitar a proliferação de fungos, seja o míldeo ou outros. A sabedoria popular chama a isto arejo e atribui as culpas às nuvens, que supostamente filtram a luz do Sol e queimam as folhas.

A variedade Kennebec, que no catálogo é cotada como tendo bastante resistência a phytophthora nas folhas, foi totalmente dizimada. A Désirée, que por seu turno é considerada bastante susceptível, aguentou-se muito bem. Para baralhar ainda mais, a Picasso, bastante susceptível também, mostra grandes estragos – para tal pode ter contribuido também o facto de ter sido plantada mais tarde, pelo que foi atacada numa fase precoce do desenvolvimento da rama.

Desenterrei algumas batatas, para lhes avaliar a desenvoltura. Estão com tamanho médio – quando prometiam ser grandes! – e têm a casca ainda fininha. Agora que a parte aérea está completamente arruinada, só me resta começar a arrancar as batatas, umas três semanas antes do tempo.

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9 responses to “Razia no batatal”

  1. Nuno Pinto Lisboa says :

    Que pena!

    Há um mês atrás, logo após começarem a germinar, a rama do batatal até metia ciúmes a quem por lá passava e se presenteava com atractivo batatal. Na altura, dizia eu que não seria fácil manter os caules e as folhas viçosas! O tempo muito chuvoso e húmido era propício ao desenvolvimento dos fungos, bem que gostava de estar enganado!

    É preferível comer as batatinhas pequenas ainda com casca fininha, do que batatas grandes cheias de pesticidas e outras coisas mais…

    Muitos parabéns.

  2. Catarina Costa says :

    Que pena!
    Não sei se lhe serve de consolo, mas parecia que estava a ver os meu batatal… este ano aqui pela região Centro, é quase batatal sim, e outro também!

    Só não estãm assim aqueles cujas pessoas curam de 4 em 4 dias… com aqueles pesticidas… que cheiram mal a 2km!

    Bom, de qualquer das formas, temos que as arrancar quanto antes, porque como dizem por aqui “o mal desce à batata” e apodrece tudo… Também queria arrancar as minhas, assim o tempo ajude a secar a terra…

    Haja saúde, que batatas também não faltarão!

    É a triste sina do bio-agricultor! (no meu caso apenas uma curiosa da agricultura biológica)!

  3. Bi says :

    :-((((

  4. Limassol says :

    escrevo-lhe porque não sei a quem mais recorrer…. confesso que não percebo muito de agricultura com muita pena minha e tenho no meu quintal uma laranjeira e um pessegueiro que decidiu nascer mesmo ao lado dela. apesar de não dar pessegos comestiveis :) não a quis cortar mas agora está com uma praga enorme de pulgões e acho que ja esta a passar para a laranjeira. Sou contra os pesticidas quimicos mas não estou a conseguir encontrar nenhuma mezinha caseira que possa usar… estou tao desesperada que ja começo a ponderar cortar o pessegueiro so para salvar a laranjeira… Não me pode ajudar? Obrigada :)

  5. Luciano says :

    Limassol, para os pulgões uso óleo de verão. Encontra-se no mercado em frascos e, depois de diluido, normalmente na proporção de 1 para 100, é aspergido sobre os insectos. Este produto é um dos recomendados em agricultura biológica.
    Outra hipótese é uma mistura caseira de água, óleo vegetal e sabão de potassa (sabão amarelo). Não tenho presente as proporções dos ingredientes mas posso detalhar se houver interesse.

  6. Joaquim Nascimento says :

    Sr. Luciano
    Esta dica de “sabão de potassa = sabão amarelo” vem-me ajudar. Ando à procura de sabão de potássa no mercado, precisamente para utilizar numa mistura caseira tal como indica em sua resposta a Lamissol.
    Pode-me indicar alguma marca ou outra indicação que me ajude a encontrar esse sabão de potassa no mercado?
    Muito lhe agradeço.
    Joaquim Nascimento

  7. Luciano says :

    @Joaquim, essa é um questão à qual não sei, infelizmente, dar resposta. Eu próprio tentei encontrar sabão amarelo à venda mas a resposta tem sido invariavelmente: “isso era o sabão de antigamente”. Acredito que ainda seja produzido mas não sei é onde se possa comprar.
    Parabéns e boa sorte para a BioNasce!

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  1. QdM » Sementeira das batatas - 03/12/09
  2. QdM » Batatal - 05/26/09

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